Artigo

Ler livros que valham a pena

«Apesar de a leitura ser uma actividade solitária, nunca se está mais perto dos outros do que quando se lê um bom livro» Pe. Rodrigo Lynce Faria

Sábado, 13 de Novembro de 2021

Ler livros que valham a pena

H uns meses atrás, um ministro francês chamado Bruno Le Maire defendeu, numa conferência diante de um público juvenil, a necessidade da leitura para enfrentar a ditadura dos ecrãs. «Os ecrãs devoram-vos, a literatura alimenta-vos».

Não é que ele tenha descoberto a pedra filosofal!

De facto, não chama a atenção aquilo que diz, mas quem o diz. Ele é ministro das Finanças, não da Cultura. Mas parece preocupado com a actual cultura juvenil francesa e tem a “intuição” de que ela possui uma estreita relação com o desenvolvimento integral do seu país.

Na sua intervenção, Le Maire disse aos jovens que, «apesar de a leitura ser uma actividade solitária, nunca se está mais perto dos outros do que quando se lê um bom livro».

Porque é que isto é assim?

Porque para ouvir e dialogar de verdade com os outros é necessário ler. É necessário cultivar a própria interioridade.

Mas, atenção: um bom livro não é um livro qualquer!

Quanto mais fácil é a publicação de textos, mais proliferam os livros medíocres e banais. E o tempo é breve, também para ler.

Convém, por isso, desenvolver a sensibilidade literária para deixar de lado a banalidade e não passar ao lado da grandeza de Humanidade que contêm certos livros.

Como?

Pedindo conselho. Há pessoas cultas que nos podem recomendar livros que mudam a nossa vida para melhor.

Falar, habitualmente, daquilo que lemos com os outros é de enorme importância: enriquece a vida familiar e as conversas com os amigos. Recomendar livros que nos ajudaram a crescer em Humanidade e pedir que nos recomendem a nós também.

E ter presente sempre um princípio fundamental: para ler, não é o tempo que nos falta: é a concentração. O consumo destemperado de ecrãs devora a nossa capacidade de nos concentrarmos e, por isso, de lermos livros que valham realmente a pena. 

Pe. Rodrigo Lynce de Faria