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Antiguidade Clássica

Está na moda uma certa nostalgia pela Antiguidade Clássica pagã, hipoteticamente “livre de dogmas e preconceitos” que foram trazidos pela mensagem cristã. E tem-se uma certa dificuldade em admitir que o Cristianismo representou um papel positivo e radical na criação de um mundo muito mais amável, gentil e caritativo (Pe. Rodrigo Lynce de Faria)

Sexta-feira, 10 de Julho de 2020

Antiguidade Clássica

Está na moda uma certa nostalgia pela Antiguidade Clássica pagã, hipoteticamente “livre de dogmas e preconceitos” que foram trazidos pela mensagem cristã. E tem-se uma certa dificuldade em admitir que o Cristianismo representou um papel positivo e radical na criação de um mundo muito mais amável, gentil e caritativo.

Pese a todo este ambiente, o historiador britânico Tom Holland – um ateu convicto – não tem nenhum prurido em defender que o Cristianismo representou um benefício profundo para a nossa civilização Ocidental. É isto que defende no seu recente livro “Dominion: The Making of the Western Mind”.

Numa recente resenha deste livro publicada em Position Papers (1-12-2019), o crítico James Bradshaw comenta que Holland, depois de um exaustivo estudo da sociedade pagã greco-latina, chega a uma conclusão deveras interessante:

«Quanto mais anos estudo a Antiguidade Clássica, mais intensamente estranha ela me parece. Os valores de Leónidas, cujo povo praticava uma forma particularmente brutal de eugenesia, não são nada que possa reconhecer como meu. Nem os valores de César, de quem se diz que matou um milhão de gauleses e escravizou outro milhão. Não é somente a extrema crueldade que me causa aversão, mas sim a completa ausência do sentido de que os pobres e os débeis possam possuir um mínimo de valor intrínseco».

De acordo com isto, enumera as execuções públicas de escravos, os combates de gladiadores para divertir o público e o muito difundido “costume” de abandonar crianças recém-nascidas nas lixeiras.

Como explica Holland, não havia nada no politeísmo greco-romano que fizesse um nobre romano pensar que não podia violar a sua escrava, ou impedisse um general de mandar os seus legionários aniquilarem uma tribo derrotada.

Neste livro, Holland recorda o papel vital que teve o povo judeu na compreensão de um Deus diferente, cujas acções – na sua maior parte – podiam ser compreendidas, e descreve como a evolução histórica do pensamento ocidental parte, inevitavelmente, da figura de Jesus Cristo.

Uma realidade que muitos ateus modernos têm dificuldade em aceitar, como se os conceitos de “dignidade humana” e “direitos humanos” tivessem vindo do nada, por geração espontânea.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria